2010-07-00

REPORTAGEM DE CAPA DO CADERNO DE CULTURA DO PRINCIPAL JORNAL DO ESTADO DE SAARLAND-ALEMANHA

REPORTAGEM DE CAPA DO CADERNO DE CULTURA DO PRINCIPAL JORNAL DO ESTADO SAARLAND-ALEMANHA N. 195 – Quarta-feira, 23 de agosto de 1995 * Wolfgang Wack Histórias cativantes sobre sofrimento e pobreza O brasileiro Flávio Scholles mostou sua obra no Volksbank de St. Wendel Sobre dor e alegria fala Flávio Scholles em seus quadros. Em sua primeira exposição na Alemanha, na agência bancária do Volksbank em St. Wendel (até 11 de setembro), o artista do estado brasileiro do Rio Grande do Sul mostra uma série de seus quadros poéticos e sociocríticos. Em território de St. Wendel, conforme o artista, ele foi em busca de seus antepassados, que, numa grande onda emigratória, saíram da região do Hunsrück/Hochwald. Em suas obras, Scholles espelha a realidade social e econômica de sua terra, usando para tanto uma linguagem visual densa, em que ele combina influências de Picasso e do expressionismo brasileiro com seu próprio estilo. Seus quadros se distinguem por uma inquietude, ordenada, de pinceladas e cores, que Scholles domina de forma virtuosa. Assim também se tornam possíveis as mais variadas expressões das obras. Em seu quadro, em formato grande, “Êxodo”, ele consegue, por exemplo, retratar de forma cativante o sofrimento e a pobreza, a miséria, a raiva, o desespero e centelhas de esperança. Seus quadros retratam a vida em sua terra natal, mas têm um significado universal. Tendo a família como protagonista, Flavio Scholles coloca união, destino comum e fidelidade como muralha contra a ameaça externa. “Êxodo” é, no todo, uma metáfora para a violência e brutalidade civil – um pendor, não limitado ao Brasil, a “Guernica” de Picasso, painel no qual ele denuncia a atrocidade e desumanidade da guerra moderna. A obra de Scholles faz jus, estilística e qualitativamente, à comparação com esse artista de renome mundial, sem que o brasileiro se torne um imitador. O conteúdo especial de Scholles é a esperança. Ele conta sobre sua vida em seu vilarejo, sobre alegria e dor, que têm caráter universal e recebem uma pretensão metafórica. Assim ele cumpre seu lema, que, usando as palavras de Tolstoi: “Se queres ser universal, fala de seu vilarejo”, ele escreveu em seu atelier, conforme ele relatou. “Trabalho com basalto”, “Favelas”, “Menina com boneca de pano”, são outros títulos e outros exemplos de sua arte engajada socialmente. Ao lado disso, Flávio Scholles apresenta imagens poéticas com senso de humor, em que ele mistura realidade e fantasia. Exemplos impressionantes disso são seus quadros “Chicken Power”. Scholles estudou arte na Faculdade de Artes de Porto Alegre, foi professor de Arte e História da Arte e, desde 1978, trabalha como artista autônomo. Legenda: O brasileiro Flávio Scholles mostra, no Volksbank de St. Wendel, até o dia 11 de setembro, seus quadros engajados e poéticos.

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